Entrevistando Leonardo da Vinci
- Dom Ramos

- 20 de jan.
- 2 min de leitura
Parte 1
Dom Ramos é editor e amante de ficção
O ano é 1502. Vou abrir o microfone do tempo. Estou num ateliê em Florença na Itália renascentista, cheirando a óleo de linhaça, couro e pergaminho. Leonardo, com 50 anos, semblante sereno e barba grisalha, me recebe com um leve aceno e um brilho de curiosidade nos olhos.

Repórter: Mestre Leonardo, aos 50 anos, o que considera ser sua maior realização até agora: suas pinturas, suas invenções ou seus estudos científicos?
Leonardo: “Meu caro, tudo quanto faço é parte de uma mesma obra. A pintura, a máquina e a observação da natureza são fios de um mesmo tecido. Se houver mérito, está em jamais deixar de aprender.”
Repórter: Em suas anotações, o senhor combina arte e ciência como se fossem uma só coisa. Como enxerga essa união entre beleza e conhecimento?
Leonardo: “A arte sem ciência é como corpo sem alma, e a ciência sem arte é como alma sem corpo. A beleza é a verdade revelada pelos olhos; o conhecimento é a verdade revelada pelo engenho.”
Repórter: Mestre, ouvimos que o senhor anda estudando muito os rostos humanos e suas expressões… estaria preparando algum retrato novo e diferente?
Leonardo: “(Com ar misterioso): sim… tenho em mente pintar o semblante de uma dama que trará em si o mistério do sorriso humano. Quero que, ao olhá-la, cada pessoa sinta algo diferente — alegria, dúvida, curiosidade. Ainda não iniciei tal obra, mas ela já vive em meus pensamentos.”
Repórter: Muitos dizem que suas máquinas são visionárias demais para nossa época. O senhor acredita que um dia todas elas serão construídas?
Leonardo: “Talvez não em meu tempo, mas no tempo daqueles que virão. O engenho humano é como semente: precisa de solo fértil e de estações propícias para florir.”
Repórter: Em suas pesquisas, o senhor observa o corpo humano com atenção incomum. Qual foi a descoberta mais surpreendente que já fez sobre a anatomia?
Leonardo: “A harmonia das proporções humanas espelha a arquitetura do mundo. No mais humilde tendão há a mesma perfeição que nas órbitas celestes.”
Repórter: O senhor já serviu como engenheiro militar. É difícil conciliar a criação de máquinas de guerra com seu desejo de progresso e harmonia?
Leonardo: “A guerra é doença da humanidade. Se concebi engenhos de combate, foi para entender e, quem sabe, prevenir seus horrores. Mas prefiro máquinas que levantam pontes e levam água aos campos.”
Leonardo fala sobre Monalisa - não perca a parte 2





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